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Visão Geral


Endosulfan é um inseticida organoclorado, que se apresenta como um sólido incolor e suscita muitas controvérsias na agricultura por sua toxicidade aguda, efeitos endócrinos e potencial de bioacumulação. Embora tenha sido banido em mais de 62 países, incluindo a União Europeia, países da Ásia e nações do oeste africano, ainda é usado extensivamente em outros países incluindo a Índia e Austrália. No Brasil, o produto não pode mais ser comercializado desde 2013.

A EPA (US Environmental Protection Agency – em tradução: Agência de Proteção Ambiental Americana) anunciou a proibição do endosulfan, concluindo que a substância apresenta um risco inaceitável para os trabalhadores agrícolas e para a vida selvagem, visto que permanece no ambiente. A agência trabalhou com a indústria do endosulfan, Makhteshim Agan da América do Norte, (uma subsidiária na Carolina do Norte de uma empresa israelita) com um prazo para acabar com todas as utilizações do inseticida e dar o tempo necessário para os agricultores buscarem novas alternativas.

Por conta dos danos que o produto causa ao meio ambiente, foi considerado um banimento global do endosulfan (uso e nas manufaturas) na Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes.

Descrição Química


É uma substância sólida, encontrada como cristais ou flocos - que podem ser da cor marrom ao creme –, e é composto pela mistura de duas formas diferentes do mesmo elemento químico (alfa e beta endosulfan). Esse pesticida sintético, que cheira como terebintina (líquido obtido pela destilação de resina de coníferas), não queima a pele. Os nomes comerciais comuns são Afidan, Beosit, Endocel, Endocide, Endosol, Hildan, Insectophene, Malix, Thifor, and Thionex (#ATSDR).

Usos


Endosulfan é utilizado como inseticida em uma variedade de colheitas, incluindo as de chás, grãos, frutas, vegetais, além das não-alimentícias, como as de tabaco e algodão. Também é utilizada para a preservação de madeira. (#ATSDR). 

Formas de Exposição e Metabolismo


O produto pode entrar no corpo por inalação do ar, através da alimentação por comidas que estejam contaminados ou pela pele. Uma vez que a substância está no corpo, alcança os rins e o fígado através da formação de produtos hidrossolúveis e é excretado através da urina e das fezes. Segundo Cerrilo et al (2005): “as análises de amostras do tecido adiposo humano, placenta, cordão umbilical e o leite demonstraram a presença  do composto original (alfa e beta endosulfan) e seus metabólitos (sulfato, diol, lactona e éter), embora o sulfato fosse o produto predominante da degradação.”

Efeitos à Saúde


- Efeitos AGUDOS à saúde (a curto prazo)

De acordo com os resultados de estudos com animais apresentados pela US Agency for Toxic Substances and Disease Registry – ATSDR (em tradução livre: Agência para Registro de Substâncias Tóxicas e Doenças dos EUA), foi demonstrado que a exposição a grandes quantidades do endosulfan podem causar efeitos adversos no sistema nervoso (hiperexcitabilidade, tremores e convulsões) e até mesmo morte. Doses letais (ou próximas a isso) acarretam a falha pulmonar e cardíaca. Outros efeitos que puderam ser observados incluem efeitos prejudiciais ao estômago, sangue, fígado e rins.

Segundo a International Chemical Safety Card (em tradução livre: Cartilha Internacional de Segurança Química) feita pelo International Programme on Chemical Safety (em tradução livre: Programa Internacional em Segurança Química), pessoas expostas a essa substância (independente da forma pela qual aconteceu) podem apresentar os seguintes sintomas: unhas ou lábios azuis, confusão, dores de cabeça, fraqueza, tontura, náusea, vômito, respiração pesada e até inconsciência.

- Efeitos CRÔNICOS à saúde (a longo prazo)

Conforme a ATSDR, os efeitos na saúde de pessoas expostas a quantidades menores do produto em maior espaço de tempo não são conhecidos totalmente, embora os estudos realizados com animais mostram implicações negativas nos rins, testículos e fígado – complicações que aumentam seriamente de acordo com a dosagem a qual foi exposto. A PANNA – Pesticide Actions Network North America (em tradução livre: Rede de Ações de Pesticidas Norte Americana) não lista o endosulfan como carcinogênico ou tóxico para reprodução e desenvolvimento, no entanto, é considerado um desregulador endócrino pela  Illinois EPA e na lista de químicos que podem causar esse problema da União Europeia (EU's Prioritization List) #PAN.

Efeitos à Natureza


Os dois isômeros (alfa e beta) têm tempos diferentes de degradação no solo: em condições neutras, o tempo de meia vida da forma alfa é de 35 dias, enquanto o beta possui 150 dias. Em condições ácidas, podem permanecer por um período ainda maior. O composto é degradado no solo por fungos e bactérias, tendo uma capacidade moderada de se aderir ou adsorver, e não se dissolve facilmente na água – o que torna pouco provável de ser uma ameaça a água subterrânea, porém, pode ocorrer (foi detectado o endosulfan nas águas de poços da Califórnia). Em águas de rios puras ou que possuem temperatura ambiente e exposição à luz, os dois isômeros desapareceram em 4 semanas. Apesar disso, foram encontradas grandes quantidades da substância na superfície da água em áreas próximas a aplicação da formulação e por todo o país em menores concentrações. #Extoxnet.

Em plantas, o composto é rapidamente degradado ao seu sulfato correspondente, e, na maior parte das frutas e vegetais, 50% da forma original desaparece em 3-7 dias. O endosulfan e seus resíduos foram detectados em alguns vegetais com níveis de 0.0005-0.013 ppm e no tabaco, leite e frutos marinhos a 0.2 ppt-1.7 ppb. #Extoxnet

- Toxicidade em animais

É tóxico em níveis moderados a altos para pássaros, com valores relatados de LD50 oral entre 31 até 243mg/kg em patos e em faisões de 80 até 320mg/kg (podendo, inclusive, estarem acima disso), enquanto em codorniz japonês os valores de LC 50 (em uma dieta de cinco dias) são de 2906ppm.

Em peixes, é muito tóxico especialmente em quatro espécies e dois invertebrados aquáticos estudados, sendo obtidos em 96 horas de LC50 os valores (em ug/L) de: 1.5 em trutas arco-íris; 1.4 em Pimephales promelas, conhecido como “fathead minnow; 1.5 em bagre americano; 1.2 em bluegill sunfish” de nome científico Lepomis macrochiru; 5.8 em Jacundá e 3.3 em stoneflies (pteronarcys). A bioacumulação em mexilhões (Mytilus edulis) era de 600 vezes a da concentração do ambiente.

Em outros animais, a toxicidade varia: em abelhas, por exemplo, é moderadamente tóxico. Foi detectado o composto em tecido adiposo e no sangue dos animais no Ártico e na Antártica, também na banha de baleias e no fígado de aves Fulmar. #Stockholm Convention on Persistent Organic Pollutants

Precauções


A exposição ao endosulfan comumente ocorre pela ingestão de comida contaminada, e a substância já foi encontrada em produtos como óleos, gorduras, frutas e vegetais. Além disso, pode ocorrer intoxicação  pela pele que está em contato com o solo contaminado ou por cigarros que contêm tabaco com os resíduos do composto. #ATSDR Public Health Statement

Regulação


A EPA classifica o endosulfan como altamente tóxico, ou seja, está na Classe I de Toxicidade. Por isso, é um pesticida de uso restrito e que só pode ser usado por aplicadores profissionais. Além disso, recomenda-se que os níveis em rios, lagos e córregos não ultrapasse 74ppb. A USFDA não permite mais que 24ppm no chá seco e nada além da faixa a 0.1-2 ppm em outros produtos alimentícios. #ATSDR


Referências e Links Externos


Dept of Health and Human Services. ToxFAQs. ATSDR. Accessed 06.08.07.


Extension Toxicology Network. Pesticide Information Profiles - Endosulfan. Etoxnet. (1996). Accessed 10.07.10.


PAN Pesticides Database - Chemicals - Endosulfan. Pesticideinfo.org. Accessed 06.08.07.


PAN Pesticides Database - Chemicals - Endosulfan. Pesticideinfo.org. Accessed 10.07.10.

International Chemical Safety Card. ICSC. Endosulfan. (1998). Accessed 10.07.10.


Agency for Toxic Substances and Disease Registry. ATDSR. Public health statement -Endosulfan (2000).

Cerrillo I, Granada A, Lopez-Espinosa MJ, Olmos B, Jimenez M, Cano A, Olea N, and Fatima Olea-Serrano M (2005) Endosulfan and its metabolites in fertile women, placenta, cord blood, and human milk. Environ Res 98:233-239.


Environmental Health News. Accessed 10.12.10.


Stockholm Convention on Persistent Organic Pollutants - Chemical under review - Endosulfan. Anex E: Supporting document for the draft risk profile on endosulfan. Accessed 10.12.10.


Environmental Protection Agency. (EPA). "Action to Terminate Endosulfan". Accessed 10.12.10

 

Tradução realizada por: Jéssica da Silva Costa

Link para a página em inglês: Endosulfan