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Nesta página:

  • O que são corantes alimentares?

  • Exposição e metabolismo

  • Riscos à saúde

  • Normas e regulamentação

  • Recomendações

  • Referências

O que são corantes alimentares?


Nos Estados Unidos, os aditivos de cor são regulamentados pela Food and Drug Administration(FDA). De acordo com o que a agência estabelece, aditivos de cor “são corantes, pigmentos ou outras substâncias que podem conferir cor quando adicionados ou aplicados a uma comida, a um medicamento ou ao corpo humano. Eles podem ser encontrados em uma gama de produtos do consumidor – de xaropes contra a tosse e delineador até lentes de contato e cereais.”

A Autoridade de Segurança Alimentar Europeia atesta que corantes são adicionados a comidas principalmente “para disfarçar perdas de cor devido a exposição à luz, ao ar, à umidade e a variações de temperatura; para melhorar as cores existentes e para adicionar cores a alimentos que seriam, por outro lado, incolores ou coloridos de forma diferente.” (EFSA – Corantes alimentares)

Os aditivos de cor se classificam em duas categorias: sintéticos, tipicamente aditivos derivados de petróleo ou de carvão, que são objeto de certificação de lote; e aditivos naturalmente derivados, a exemplo da cor de caramelo ou da cor do extrato de uva, que não estão sujeitos à certificação de lote. Além disso, podem estar disponíveis como tintas insolúveis em água - para alimentos de baixa umidade ou muito gordurosos - ou hidrossolúveis.

De acordo com o Código Federal de Regulamentos dos Estados Unidos, os nove aditivos sintéticos de cor atualmente aprovados para uso em produtos alimentícios, e suas identidades químicas, são:

  • FD&C Azul No.1: principalmente o sal dissódico de etil [4-[p- [etil (m-sulfobenzil) amino]-α-(o- sulfofenil) benzilideno] - 2,5 -cyclohexadien - 1 -ilideno] (m-sulfobenzil) sal interno de hidróxido de amônio

  • FD&C Azul No.2: principalmente o sal dissódico de ácido 2-(1,3- dihidro-3- oxo-5- sulfo-2H-indol- 2-ilideno)- 2,3-dihydro- 3-oxo- 1H-indol- 5-sulfônico (CAS Reg. No. 860-22- 0)

  • FD&C Verde No. 3: principalmente o sal interno do sal dissódico de hidróxido de N-etil- N-[4- [[4-[etil[(3-sulfofenil)metil]amino]fenil](4- hidróxi-2- sulfofenil)metileno]-2,5-cyclohexadien- 1- ilideno]- 3-sulfobenzenometamina (CAS Reg. No. 2353-45- 9)

  • Laranja B.: principalmente o sal dissódico de 1-(4- sulfofenil)-3- etilcarbóxi-4- (4- sulfonaftilazo)-5- hidro-xipirazol.*

  • Vermelho Cítrico No. 2: principalmente 1-(2,5- dimetóxifenilazo)-2- naftol.*

  • FD&C Vermelho No.3: principalmente o monohidrato de 9 (o- carbóxifenil)- 6-hidróxi -2,4,5,7-tetraiodo- 3H-xanten- 3-ona, sal dissódico , com quantidades menores de fluoresceína iodada

  • FD&C Vermelho No. 40: principalmente o sal dissódico de ácido 6-hidróxi- 5-[(2- metóxi-5-metil-4- sulfofenil)azo]-naftalenossulfônico .**

  • FD&C Amarelo No. 5: principalmente o sal trissódico de  ácido 4,5-dihidro- 5-oxo- 1-(4- sulfofenil)-4- [4-sulfofenil- azo]-1H- pirazol-3- carboxílico (CAS Reg. No. 1934-21- 0).**

  • FD&CN Amarelo No.6: principalmente o sal dissódico de ácido 6-hidróxi- 5-[(4- sulfofenill)azo]-2- naftalenossulfônico (CAS Reg. No. 2783-94- 0).**


*Vermelho Cítrico 2 é usado raramente para tingir as cascas de algumas laranjas da Flórida; Laranja B, aprovada apenas para adicionar cor ao revestimento de salsichas, não é mais usado(CSPI 2016).

**FD&C No. 40, FD&C Amarelo No. 5, e FD&C Amarelo No. 6 compreendem aproximadamente 90% de todas os corantes usados hoje em dia (CSPI 2016)

FD&C corresponde a Alimentos, Medicamentos e Cosméticos e indica que o colorimento é aprovado para uso nessa categoria de produtos.

            

Abaixo, há uma tabela de resumo dos 7 corantes sintéticos mais comumente usados, alimentos em que são tipicamente encontrados e as quantidades certificadas para uso pela FDA, em 2010.

 

Designação FD&C

Nome

Corante

Alimentos em que o corante está presente

Quilos certificados em 2010

Azul No. 1

Azul Brilhante FCF

Azul

Sorvetes, ervilhas enlatadas, doces, bebidas, pós para sobremesas

266454,22

Azul No. 2

Indigotina

Indigo

Bebidas, doces, e outros alimentos

301334

Verde No. 3

Verde rápido FCF

Turquesa

Ervilhas enlatadas, vegetais, peixes, sobremesas, algodão doce, e outros doces

5919,834

Vermelho No. 3

Eritrosina

Rosa

Doces, pirulitos, decoração de bolos outros produtos de panificação.

94744,5599

Vermelho No. 40

Vermelho allura AC

Vermelho

Cereais, gelatinas, doces, produtos de panificação

2764393,751

Amarelo No. 5

Tartrazina

Amarelo

Bebidas gaseificadas, pudins, chips, picles, mel, mostarda, chicletes, produtos de panificação, gelatinas e outros alimentos

1862223,929

Amarelo No. 6

Amarelo sol FCF

Laranja

Cereais, refrigerantes de laranja e outras bebidas, chocolate, em pó solúvel, produtos de panificação e muitos outros alimentos

1658338,241

 

(Fontes: ACS, FDA 2011, NPR)


Para uma lista de todos os corantes alimentícios,  sua aprovação de usos e restrições, datas de aprovação e nomes correspondentes usados na União Europeia(EEC#), observar na página “Sumário de Aditivos de Cor para Uso nos Estados Unidos em Alimentos, Medicamentos, Cosméticos e Aparelhos Médicos.”

Como um grupo, estes corantes sintéticos são conhecidos como corantes azóicos,  o que significa que contêm o grupo funcional R-N=N-R’, no qual R e R’ podem ser tanto um grupo arila como um alquila. Esses corantes também são utilizados em tecidos coloridos e em couro.

           Quanto de corantes alimentares os produtos contêm?

 

Produto(Marca)

Quantidade da porção

Quantidade de corantes (mg)

Pillsbury Confetti Funfetti Chocolate Fudge Frosting (JM Smucker)

2 colheres de sopa (34 g)

41.5

Red, White and Blue Popsicle (Foodhold USA)

1 pirulito (55 g)

21.6

Twizzlers (Licorice) (Hershey)

4 pedaços (45 g)

15.4

Skittles (Original) (Mars)

1 pacote (61.5 g)

14.7

Hawaiian Punch (Dr Pepper/Seven Up, Inc.)

8 onças líquidas (237 g)

14.1

Fruity Pebbles (Post)

¾ de uma xícara (27 g)

13.9

M&Ms (plain) (Mars)

1 pacote (47.9 g)

13.4

Sunkist Orange Soda (Dr Pepper/Seven Up/Inc.)

12 onças líquidas (355 g)

12.6

Ken’s Light Raspberry Walnut Vinaigrette (Ken’s Foods)

2 colheres de sopa (32 g)

10.2

Sugar Free Chocolate Wafers (Voortman Cookies)

3 biscoitos (27 g)

10.0

Utz Baked Cheese Curls (Utz)

1 onça (28.35 g)

 8.6

Fruit by the Foot (Strawberry) (General Mills)

1 rolo (21 g)

 6.5

Open Pit Barbecue Sauce (Original) (Pinnacle Foods)

2 colheres de sopa (34 g)

 6.5

 

Exposição e metabolismo


Nos Estados Unidos, em 1950, aproximadamente 726  milhões de quilos de corantes sintéticos, ou 12mg por pessoa por dia,  foram certificados para uso em alimentos. Já em 2015, 17 milhões de libras, ou 67mg por pessoa, por dia, foram certificados. Um estudo demonstrou que mais de 90% de doces, lanches com sabor de frutas, e sucos em pó e pós para crianças contêm corantes sintéticos. Esses aditivos são também usados em comidas salgadas para crianças, como o ‘macaroni and cheese’, e em vários produtos destinados a adultos e crianças, como pós para preparo de bolos, bebidas, cereais, doces, comidas para lanches, temperos e molhos, e sorvetes.

O Instituto de Agricultura e Políticas de Comércio dos EUA (IATP) fornece informações de pesquisas em certos produtos alimentares que contêm corantes sintéticos. Abaixo estão declarações em relação à absorção, distribuição, metabolismo, e excreção de alguns corantes alimentares específicos da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA):

  • FCF Azul Brilhante: “ Dados disponíveis relacionados à absorção, à distribuição, ao metabolismo e à excreção de FCF Azul Brilhante mostram que ele é mal absorvido e excretado inalterado nas fezes.”

  • Indigotina: “ Os dados disponíveis relacionados à absorção, ao metabolismo e à excreção do índigo-carmim indicou que o corante ou seus metabólitos são mal absorvidos.”

  • Vermelho allura AC: “ As principais conclusões das avaliações do JECFA(1980) e Tema Nord (2002) foram que o composto principal é absorvido até apenas uma extensão limitada e que a maior rota de excreção é por meio das fezes (29% do composto principal). A excreção do composto principal na urina é desprezível.  Vários metabólitos, possivelmente resultantes de uma azorredução no trato gastrointestinal (dois identificados como aminas aromáticas, ácido sulfônico p-cresidina sendo o maior deles), também foram encontrados nas fezes e na urina. Finalmente, uma retenção significativa nos intestinos lavados de ratos foi observada, provavelmente devido à adesão às paredes intestinais. O SCF [EU Scientific Committee for Food, em livre tradução: Comitê Científico de Alimentos Europeu] aceitou que os dados não foram totalmente adequados, mas considerou que no contexto de uma avaliação genérica de todas as informações, não haveria necessidade de repetir os estudos.”

  • Tartrazina: Após administração oral de uma série de doses de Tartrazina pura, a sua absorção é de desprezível a baixa (< 5%) e é predominantemente excretada inalterada pela urina.  Depois da administração oral, há intenso metabolismo da Tatrazina pela microbiota intestinal a ácido sulfanílico e aminopirazolona (que devem ser subsequentemente clivados a ácido sulfanílico e fragmentos de ácido α-amino-β-cetobutírico  com degradação lenta por meio do metabolismo intermediário com liberação de dióxido de carbono). Ambos ácido sulfanílico e aminopirazolona podem ser absorvidos em uma maior extensão quando comparados à Tartrazina.

  • Amarelo Sol: “ A Comissão concorda com a visão expressa nas últimas avaliações(JECFA, 1982; TemaNord 2002) de que a absorção do corante FCF Amarelo Sol é limitada mas, após redução no trato gastrointestinal, aminas aromáticas sulfonadas devem atingir a circulação sistêmica.”


Sabe-se que o FCF atravessa a barreira hemato-encefálica (Peng 2009). Assim, dois membros do Comitê Consultivo para Alimentos da FDA recomendaram que se deve dar uma atenção especial ao corante FCF Azul Brilhante (CSPI 2006).


Doses diárias aceitáveis

Diferentes agências estabeleceram ingestões diárias aceitáveis (IDA) para corantes alimentares sintéticos. A Organização Mundial de Saúde define IDA como “a quantidade diária ingerida de uma substância química em que durante uma vida inteira aparece sem risco considerável baseando-se em todos os fatos conhecidos até o momento.”


Para mais informações a respeito de IDAs e avaliações de risco, favor visitar a página  de Avaliações de Risco.

 

Corante alimentar

US FDA IDA

JECFA* IDA

Azul brilhante FCF

12.0 mg/kg de peso corporal(PC)

0-12.5 mg/kg de peso corporal (PC)

Indigotina

2.5 mg/kg PC

0-5 mg/kg PC

Verde rápido FCF

2.5 mg/kg PC

0-25 mg/kg PC

Eritrosina

2.5 mg/kg PC

0-0.1 mg/kg PC

Vermelho alura AC

7.0 mg/kg PC

0-7 mg/kg PC

Tartrazina

5.0 mg/kg PC

0-7.5 mg/kg PC

Amarelo sol FCF

3.75 mg/kg PC

0–4 mg/kg PC

 

           *FAO/WHO Joint Expert Comitee on Food Aditives(JECFA)


Comparações entre IDAs da FDA e níveis de exposição per capita como apresentadas pelo Conselho Consultivo para Alimentos da FDA de 2011 estão disponíveis nesse PowerPoint da agência (em inglês)(páginas 23-24)


Perigos para a saúde


Hiperatividade em crianças

Em 1973, o chefe de alergia do Hospital Kaiser-Permanente (Califórnia), Benjamin F. Feingold propôs que salicilatos (composto encontrado naturalmente em algumas plantas), cores e sabores artificiais causam hiperatividade em crianças e, portanto, desenvolveu uma dieta especial para ajudar crianças hiperativas. Essa hipótese foi baseada em anos de observação de pacientes e suas respostas a vários alimentos, e não em estudos controlados. Isso ganhou uma atenção especial e estimulou vários estudos; o primeiro estudo controlado sugerindo uma ligação entre corantes alimentares artificiais e comportamento foi publicado em 1976. Em 1982, o National Institutes of Health (NIH) organizou a conferência “Dietas Definidas e Hiperatividade Infantil” para avaliar tais estudos. A comissão do NIH concluiu que estes indicaram “uma associação positiva limitada entre ‘as dietas definidas’ e uma redução na hiperatividade” e que mais pesquisas eram necessárias.

Após estudos adicionais, uma metanálise de 15 estudos duplo-cego controlados do ano de 2004 concluiu que os “resultados sugerem fortemente uma associação entre ingestão de corantes alimentares sintéticos e hiperatividade” (Schab, 2004). Outra metanálise, de 2012, concluiu que: “Uma dieta restritiva beneficia algumas crianças com transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH). Efeitos em corantes alimentares foram notáveis e foram suscetíveis a viés de publicação ou foram derivados de amostras pequenas, não-generalizáveis. Novas investigações são necessárias” (Nigg, 2012). Revisões críticas adicionais reforçam a hipótese que dietas livres de corantes artificiais podem beneficiar crianças com TDAH. Uma revisão de 2014 utilizou diretrizes desenvolvidas pelo Centro de Medicina Baseada em Evidências de Oxford para examinar diversos tratamentos não-medicamentosos para TDAH, e concluiu que a força da evidência para exclusões de corantes alimentares artificiais foi 4 em 5 (Faraone, 2014).

Dois estudos financiados pelo governo do Reino Unido tiveram um impacto nas decisões políticas na União Europeia (veja Normas e Regulamentação, abaixo): o primeiro estudo, publicado em 2004, testou uma mistura de quatro tintas e o conservante benzoato de sódio em 277 crianças com 3 anos de idade, e encontraram um efeito adverso genérico independentemente se as crianças eram hiperativas, atópicas (propensos a alergias) ou hipersensíveis (Bateman 2004). Um seguinte estudo de 2007, conhecido como estudo Southampton, testou duas misturas de corantes alimentares em 153 crianças com 3 anos de idade e 144 crianças com idade dos 8 aos 9, e concluíram que “cores artificiais em uma dieta resultam em aumento da hiperatividade em crianças de 3 anos e 8/9 anos de idade da população geral” (McCann, 2007).  Três das seis tintas testadas no estudo de 2007 são atualmente permitidas para uso em alimentos nos Estados Unidos(Amarelo 5, Amarelo 6, Vermelho 40).

Em 2011, 11% das crianças norte-americanas com 4-17 anos de idade (6.4 milhões de crianças) foram diagnosticadas com TDAH. A porcentagem de crianças diagnosticadas com esse transtorno continua a crescer, de 7.8% em 2003 a 9.5% em 2007 e para 11.0% em 2011 (CDC, 2016). Um estudo estima que 8% das crianças com TDAH (500 mil), utilizando o valor diagnóstico de 2011, têm sintomas causados por corantes alimentares (Nigg, 2012).


Outros perigos

Preocupações quanto aos corantes Vermelho 40, Amarelo 5 e Amarelo 6 também foram levantadas: poderiam ser contaminados com benzidina e outras substâncias carcinogênicas, além da genotoxicidade do último.

Foi constatado que o Vermelho 3 causa câncer em animais.

Pelo menos quatro corantes (Azul 1, Vermelho 40, Amarelo 5 e Amarelo 6) foram  relacionados como causas de reações hipersensíveis (Kobylewski, 2012).


Normas e regulamentação


Como mencionado acima, nos Estados Unidos os corantes alimentares são regulamentados pela FDA. Em adição ao teste de lote requerido para os 9 corantes alimentares sintéticos atualmente aprovados para uso, há restrições nas quantidades permitidas em produtos alimentares, assim como há quantidades permitidas de impurezas químicas contidas nos corantes. Regulamentações de corantes alimentares foram iniciadas em 1906 com o trecho do Ato de Alimentos Puros e Drogas, que exigiu o banimento de corantes artificiais provados serem “prejudiciais à saúde”. Na ocasião, 80 corantes estavam disponíveis; em 1938, apenas 15 foram aprovados para uso.  A revelação de corantes alimentares em listas de ingredientes para produtos alimentares foi requerida por lei desde 1990.

A primeira regulamentação acerca de corantes alimentares da Comunidade Europeia foi uma diretriz de junho de 1962 que permitiu o uso de 36 corantes alimentares, 20 naturais e 16 sintéticos . Em 1994, sete dos corantes sintéticos foram banidos e um corante adicional foi banido em 2007. Em 2008, a Regulamentação 1331 criou uma nova lista de corantes aprovados. Uma lista dos corantes alimentares aprovados atualmente (25 naturais e 15 sintéticos até abril de 2016) está disponível aqui.

Em abril de 2008, a Agência de Normas Alimentares do Reino Unido aconselhou à indústria alimentar a banir seis corantes sintéticos comumente utilizados até 2009. Isso foi baseado em um estudo financiado pelo governo do ano de 2007 publicado na The Lancet o qual encontrou uma ligação entre a ingestão de corantes alimentares (mais um conservante, o benzoato de sódio) ao aumento da hiperatividade em crianças. Os autores do estudo concluíram que o potencial de aprendizagem das crianças poderia ser afetado por essa mudança de comportamento. Após essas ações no Reino Unido, o Parlamento Europeu aprovou uma lei (Parlamento Europeu e Regulamentação do Conselho(EC) No 1333/2008), que entrou em vigor em 2010 requerendo que fossem colocados rótulos de advertência nos produtos alimentares que continham algum desses seis corantes. A advertência enuncia: “ [nome do corante] deve ter um efeito adverso na atividade e na atenção em crianças”. O regulamento também proibiu o uso de aditivos alimentares em “formulações infantis, formulações de preparados, alimentos processados à base de cereais, alimentos para bebês e alimentos dietéticos para propostas médicas especiais destinadas a bebês e crianças.”(Jornal Oficial da União Europeia, 2008). Muitos produtores de alimentos que vendem produtos na União Europeia reformularam seus produtos, usando corantes alternativos que não são sujeitos a rótulos de advertência. Porém,  as versões norte-americanas frequentemente ainda contêm  corantes alimentares sintéticos. A Agência de Normas Alimentares do Reino Unido provém informações consultáveis sobre produtos que não contêm corantes associados à hiperatividade. Também em 2008, o Center for Science in the Public Interest  dos Estados Unidos requereu que a FDA banisse o uso dos atuais corantes alimentares sintéticos e que novos corantes alimentares fossem testados para possíveis efeitos neurológicos. Enquanto foi convocada uma reunião pela agência regulatória com seu Comitê Consultivo para Alimentos em 2011 e este votou que testes adicionais se faziam necessários, a FDA não tomou medidas.

Em 2010, a Comissão Europeia pediu para a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar para reavaliar a segurança de todos os corantes alimentares aprovados até 2020. Como resultado, em março de 2012, as doses diárias aceitas para esses três corantes alimentares foram diminuídas: E 104 (Amarelo de quinoleína/ Amarelo 10 D&C), E110(Amarelo sol/ Amarelo No.6 FD&C) e E 124(Ponceau 4R) . Amarelo 10 D&c é aprovado apenas para cosméticos e medicamentos nos Estados Unidos, e Ponceau 4R não é aprovado para uso nos Estados Unidos. Informações atuais sobre esse trabalho estão disponíveis aqui.

O Comitê Especializado da FAO/WHO para Aditivos Alimentares(JECFA), estabelecido em 1956,  fornece um banco de dados de informações sobre vários corantes alimentares, incluindo seus IDA (ingestões diárias aceitáveis).


Medidas Corporativas

 Em janeiro de 2016, Mars concordou em remover corantes sintéticos de todos os seus doces. De acordo com o Center for Science in the Public Interest, assim como – em janeiro de 2016 – essas companhias começaram a remover corantes sintéticos de alguns ou de todos os seus produtos: Aldi, Campbell Soup Co., Chick-fil- A, Chipotle, Frito-Lay (PepsiCo), General Mills, Kellogg, Nestle, Noodles &amp; Co., Panera, Papa John’s, Pizza Hut, Schwan Food Co., Subway, Taco Bell, Trader Joe’s, and Whole Foods Market (CSPI, 2016).

Recomendações


Corantes alimentares sintéticos não possuem valor nutritivo, e estudos sugerem que algumas crianças, incluindo mas não limitado a uma subpopulação, são adversamente afetados pela exposição a eles. Apesar de corantes alimentares sintéticos serem claramente rotulados em produtos nos Estados Unidos, a sua prevalência os torna difícil de evitar inteiramente, e comidas coloridas sinteticamente também são servidas sem rótulos (como em cafeterias e restaurantes, em ocasiões sociais, etc.). Sabendo-se que não há benefícios à saúde quanto à ingestão de corantes alimentares sintéticos e que corantes que são sabidamente seguros já estão disponíveis para uso, maiores restrições no uso dos corantes são prudentes e recomendadas.

Uso de corantes no Brasil

No Brasil, a legislação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que versa sobre corantes e estabelece as condições gerais de elaboração, classificação, apresentação, designação, composição e fatores essenciais de qualidade daqueles empregados na produção de alimentos (e bebidas) consta em uma resolução da Comissão Nacional de Normas e Padrões para Alimentos,  do Ministério da Saúde do ano de 1977 e que se fundamenta nos artigos 5º, item 1 e 10º, do Decreto-Lei nº 986, de 21 de outubro de 1969. Tal resolução pode ser encontrada no site da agência reguladora.


No país, os solventes e veículos de emprego autorizados na elaboração e processamento dos corantes são: Água, açúcares, álcool etílico, amidos, cloreto de sódio, dextrina, gelatina, glicerol e os óleos e gorduras comestíveis

 

Ademais, os corantes de uso permitidos em alimentos e bebidas são:

 

  • C.I. - Corante orgânico natural

  • Curcumina

  • Riboflavina

  • Cochonilha; ácido carmínico

  • Urzela; orceína, orecína sulfonada

  • Clorofila

  • Caramelo

  • Carvão medicinal

  • Carotenóides:

    • alfa, beta, e gama-caroteno

    • bixina, norbixina

    • capsantina, capsorubina

    • licopeno

  • Xantofilas:

    • flavoxantina, luteína

    • criptoxantina

    • rubixantina

    • violaxantina

    • rodoxantina

    • cantaxantina

  • Vermelho de beterraba, betanina

  • Antocianinas

    • pelargonidina, cianidina

    • peonidina, delfinidina

    • petunidina, malvidina

  • C.II - Corante orgânico sintético artificial

  • Amarelo crepúsculo

  • Laranja GGN

  • Amarelo ácido ou amarelo sólido

  • Tartrazina

  • Azul brilhante FCF

  • Azul de idantreno RS ou Azul de alizarina

  • Indigotina

  • Bodeaux S ou amaranto

  • Eritrosina

  • Escarlate GN

  • Vermelho sólido E

  • Ponceau 4 R

  • Vermelho 40

  • C.III - Corante orgânico sintético idêntico ao natural

  • Beta-caroteno

  • Beta-Apo-8´-carotenal

  • Éster etílico do ácido beta-Apo-8´carotênico

  • Cantaxanteno

  • Complexo cúprico da clorofila e clorofilina

  • Caramelo amônia

  • C.IV - Corante inorgânico (pigmentos)

  • (emprego limitado à superfície)

  • Carbonato de cálcio

  • Dióxido de Titânio

  • Óxido e hidróxido de ferro

  • Alumínio

  • Prata

  • Ouro

 

Detalhes complementares à Resolução constante no site da ANVISA com o histórico,  bem como informes técnicos e tabelas informativas mais completas em que listam-se os corantes tolerados,, os alimentos  em que o uso dos aditivos de cor são permitidos e os que não são podem ser consultados aqui e aqui.

 


Referências


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European Food Safety Authority: Scientific Opinions on the re-evaluation of: Brilliant Blue FCF (2010), Indigotine (2014), Allura Red (2009), Tartrazine (2009), Sunset Yellow (2009). (accessed April 27, 2016)

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Tradução: José Everton Mourão Junior


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