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http://www.toxipedia.org/display/toxipedia/Heptachlor


VISÃO GERAL


Heptacloro é um inseticida organoclorado não sistêmico que foi primeiramente sintetizado em 1946, usado extensivamente nos anos 60 e 70 no ambiente doméstico e na agricultura, e banido em 1988; mas mesmo após 20 anos de sua proibição, o produto ainda era encontrado no país. No Brasil, o produto teve sua comercialização e importação proibida seguindo o que foi proposto durante a Conferência de Estocolmo relacionada ao uso de Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs). Estudos relacionam a substância ao câncer, desregulação endócrina e toxicidade no desenvolvimento, porém a extensão total dos efeitos na saúde não é inteiramente conhecida. O composto é muito persistente e é prontamente convertido em um epóxido de heptacloro mais potente ao entrar no corpo. #EXTOXNET  #ATSDR Public Health Statement


DESCRIÇÃO QUÍMICA


A forma técnica do heptacloro (que é usada como inseticida) é o pó que possui um nível de pureza menor do que o do heptacloro puro. Algumas características dessa substância são: as duas formas tem o cheiro de naftalina ou cânfora, não é inflamável, combustível ou solúvel e não ocorre naturalmente.

Foi comercializado com os seguintes nomes:

- Aahepta
- Agroceres
- Hepta
- Heptachlordane
- Heptagran
- Heptamul
- Heptox

- Gold Crest H-60
- Rhodiachlor
- Velsicol 104
- Basaklor
- Soleptax
- Termide


USOS


O produto foi utilizado em grande quantidade nas décadas de 60 e 70 em casas e na agricultura para controlar cupins e pestes em lavouras, contra cercopidae, curculinoidea, elateridae, ostrinia nubilalis, lagarta da raiz do milho, bicudo-do-algodoeiro, cicadellidae, etc. #Caudle, et al., 2005 #ATSDR Public health Statement #Heptachlor #INTOX, 1975


O heptacloro e seu epóxido (para qual é convertido após borrifar) ainda pode ser encontrado no solo ao redor de casas devido seu uso extensivo e em proximidades de locais com resíduos perigosos. O uso desse produto foi abolido em 1988, porém ainda tem a utilização permitida no caso de formigas de fogo em transformadores de energia e cabos de TV e telefone subterrâneos. (Veja a #Regulação abaixo para maiores informações.) #ATSDR #EPA


FORMAS DE EXPOSIÇÃO E METABOLISMO


O composto pode entrar no corpo através do solo, alimentação, pelo ar contaminado pelo produto e até mesmo de mãe para filho na amamentação. Tanto no meio ambiente quanto no corpo, o heptacloro é prontamente convertido ao seu metabólito oxigenado – epóxido – que bloqueia os receptores GABAa**, gerando a inibição do fluxo do íon cloreto neste receptor e a estimulação exagerada do sistema nervoso. Se trata de um composto muito persistente em qualquer situação (ambiental ou dentro do corpo), onde fica armazenado principalmente na gordura, no fígado e nos rins em mamíferos, mas pode ser encontrado também no leite materno e na placenta dos animais. #ATSDR Heptachlor #NRDC #Caudle, et al., 2005 #EXTOXNET


EFEITOS À SAÚDE HUMANA


- Crônicos

De acordo com a U.S Agency for Toxic Substances and Disease Registry (em tradução livre: Agência para Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças dos EUA), nenhuma pesquisa demonstrou que a exposição ao heptacloro pode causar danos a saúde humana, mas os estudos com animais já não apontam para essa mesma conclusão, demonstrando resultados negativos. Esses problemas, tendo em vista que são crônicos, se relacionam com a quantidade da dosagem ou com o tempo de exposição a substância. Os principais efeitos que foram observados nos animais são: danos ao fígado – incluindo tumores naqueles que foram alimentados com a comida contaminada com o heptacloro -, excitabilidade, diminuição da fertilidade e problemas de desenvolvimento quando expostos durante a gestação ou infância.

Devido aos resultados obtidos, há uma preocupação e o desejo de incluir esse produto como provável agente carcinogênico na lista de susbtâncias da EPA, algo que a International Agency for Research on Cancer (Agência Internacional de Pesquisa do Câncer) já fez. Além disso, o estado da Califórnia listou a substância como tóxica ao desenvolvimento. Também foi listado como provável causador de disfunção endócrina pela Agência de Proteção Ambiental do Estado de Illinois (State of Illinois Environmental Protection Agency) #ATSDR Heptachlor #PANNA Pesticide Database

- Agudos

A agência que realizou os estudos crônicos também pontuou conseqüências agudas na saúde humana, que também são pouco vistas em humanos e bem descritas para animais. Aqueles animais que foram expostos a altos níveis de heptacloro tiveram convulsões violentas e tremores. Segundo a EPA, os sintomas relacionados ao envenenamento com substâncias organocloradas podem incluir: hipersensibilidade a estímulos, sensação de formigamento, dores de cabeça, enjôo, náusea, vômitos, falta de coordenação, tremores, confusão mental, estado de hipersensibilidade e, em casos extremos, convulsões, desmaios e até coma.


Veja o Cartão Internacional de Segurança Química do Heptacloro, que lista esses sintomas e medidas preventivas aqui. #EPA Pesticide Poisoning Handbook #ATSDR Heptachlor


EFEITOS NO MEIO AMBIENTE


O heptacloro e seu epóxido são altamente persistentes no meio ambiente, com o tempo de meia vida de cerca de 250 dias dependendo do tipo de solo – os dois se ligam fortemente e tendem a não alcançar os lençóis freáticos. Por causa disso (e de seu grande uso), a substância foi, sem intenção, carregada pelos ventos. É praticamente insolúvel (seu epóxido é um pouco mais solúvel) e nenhum dos dois compostos evapora instantaneamente a partir da molécula de água. #ATSDR Public Health Statement #EXTOXNET

- Toxicidade para organismos

É muito tóxico para pássaros, com valores orais de LD50 em patos-reais de 2080mg/kg e LC50 de cordona japonesa de 99ppm (em dietas de 5 dias de consumo no Japão). Os valores de LC50 em uma dieta de 8 dias variam de 450-700ppm para perdiz da virgínia e 250-275ppm para faisão. Esse composto e o seu epóxido são extremamente tóxicos também para animais aquáticos, principalmente para os mais novos e organismos em desenvolvimento, além de afetarem insetos como as abelhas devido suas propriedades inseticidas.


 

PRECAUÇÕES

A exposição ao heptacloro pode ocorrer de diversas formas já citadas anteriormente, por isso, é necessário evitar o contato direto com o solo (que pode estar contaminado) e selecionar bem os alimentos, procurando conhecer a sua procedência e as queixas relacionadas ao uso do inseticida.


 

REGULAÇÃO

 

NÍVEIS DE HEPTACLORO NO LEITE MATERNO DECRESCENDO DURANTE OS ANOS “PHASE-OUT”

 

 

Imagem retirada do NRDC


Os níveis medidos de heptacloro começaram a diminuir no final da década de 70, embora ainda existisse no Havaí a preocupação quanto aos efeitos na saúde de quem havia consumido o leite contaminado anteriormente. As vacas das quais extraíam esse leite foram alimentadas com abacaxis que estavam com altos níveis de heptacloro, que passou para as pessoas através do alimento. O maior receio era relacionado aos efeitos no desenvolvimento e  crianças que eram amamentadas por mulheres que consumiram o produto contaminado. #Caudle, et al., 2005

 

Apesar de sua degradação se iniciar nos anos 70, o heptacloro só foi proibido em 1988, sendo permitido atualmente apenas para matar formigas de fogo nos transformadores e nos cabos de televisão e rádio subterrâneos. A EPA também possui regulamentações severas dos níveis presentes na água potável (uma criança que pesa 10kg ou menos não deve consumir água contaminada com mais de 0,01mg por litro; a água consumida não deve conter mais de 0,0004mg/L de heptacloro ou 0,0002mg/L de seu epóxido).

 

Além disso, os fornecedores de água locais precisam fornecer uma lista detalhada das substâncias químicas presentes na água e quais são os níveis presentes nesta.

 







 

REFERÊNCIAS


W. Michael Caudle, Jason R. Richardson, Mizheng Wong, Gary W. Miller. "Perinatal Heptachlor Exposure Increases Expression of Presynaptic Dopaminergic Markers in Mouse Stratium." Neurotoxicology 26 (2005), 721-728.


Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR). 2005. "Toxicological profile for Heptachlor and Heptachlor Epoxide. (Draft for Public Comment). Atlanta, GA: U.S. Department of Health and Human Services, Public Health Service.


Agency for Toxic Substances and Disease Registry (ATSDR). "Heptachlor. Accessed 8-21-07.


Environmental Protection Agency (EPA). "Consumer Factsheet on: HEPTACHLOR AND HEPTACHLOR EPOXIDE." Last updated on Tuesday, November 28th, 2006. Accessed 8-21-07.


Environmental Protection Agency (EPA). 1999. Recognition and Management of Pesticide Poisonings. Accessed 3-19-10.


Food and Agriculture of the United Nations. "Data Sheet on Pesticides No. 19: Heptachlor". December, 1975. Accessed 8-22-07.


Natural Resources Defense Council (NRDC). "Chemicals: Heptachlor". Last revised 5-22-01. Accessed 8-22-07.


Extension Toxicology Network. "Pesticide Information Profile - Heptachlor". Revised June 1996. Accessed 8-22-07.


Pesticide Action Network North America: Heptachlor Chemical Profile. Accessed 3-19-10. 


Tradução: Jéssica da Silva Costa

 

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