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Álcool

Imagem de Kimery Davis, Creative Commons, modificada


O álcool tem vários nomes alternativos devido à suas várias estruturas químicas e usos. Nesta página, discutiremos o etanol, também chamado de álcool etílico, entre muitos outros nomes; e o metanol, também chamado de álcool metílico ou álcool de madeira.

Tanto o etanol quanto o metanol são solventes e ambos podem ser utilizados como combustível; o etanol o etanol é sintetizado a partir da fermentação de grãos, ao passo que o metanol é criado por meio de processos químicos. Suas estruturas químicas são ligeiramente diferentes.

Etanol


O etanol é um componente das bebidas alcoólicas:

  • Cerveja: aproximadamente cinco por cento de álcool

  • Vinho: entre 12 e 15 por cento de álcool

  • Licor destilados: tipicamente de 30 a 50 por cento de álcool, podendo ser mais elevado

O etanol também é um antisséptico, solvente médico, solvente químico e combustível para motores. Pode ser usado como combustível para foguetes, aquecimento doméstico, entre outros usos.

ethanol structure

Estrutura química do etanol

Rotas de exposição


O etanol é tipicamente consumido em bebidas alcoólicas, mas a exposição pode também ocorrer por inalação do vapor do etanol e por absorção dérmica (pela pele). A inalação e absorção dérmica são mais comuns na exposição ocupacional.

Impactos sobre a saúde


Efeitos agudos:

Sintomas de toxicidade por consumo de álcool etílico incluem: perda de memória, embriaguez, desidratação e depressão do sistema nervoso central.


Efeitos a longo prazo: alguns dos efeitos com evidência causal incluem:

- déficit de atenção / hiperatividade

- problemas comportamentais, que podem incluir agressão, impulsividade e comportamento delinquente

- câncer de mama, esôfago, laringe ou fígado

- cirrose

- impedimento cognitivo, que pode incluir dificuldade de aprendizado, perda de memória, diminuição do período de atenção, retardo mental ou atraso no desenvolvimento.

- demora no crescimento

- síndrome do solvente fetal / síndrome do feto alcoólico

- toxicidade fetal (aborto espontâneo, interrupção da gestação, natimortos)

- perda da audição

- hepatite

- mudanças hormonais (alteração dos níveis hormônios sexuais em circulação – FSH/LH, Inibina, estrógenos, progesteronas, androgênios e prolactina)

- baixo peso no nascimento

- pancreatite

- porfiria

- distúrbios psiquiátricos (desorientação, alucinações, psicose, delírios, paranoias, ansiedade/depressão, dependência emocional, alterações de humor, euforia)

- redução da fertilidade masculina

- malformação esquelética

- esteatose (acúmulo de gordura no fígado)

- toxicidade testicular


Além disso, fortes evidências ligam o etanol a esses impactos:

- alterações menstruais

- síndrome mielodisplásica (pré-leucemia)

- câncer de boca

- fendas orais (palato e lábio leporino)


Outros efeitos nocivos devido a um alto consumo de álcool pode incluir:

- lesões não intencionais, como acidentes veiculares, afogamentos, quedas e queimaduras

- violência, maltrato infantil, homicídio e suicídio

- abuso do álcool e dependência



Efeitos agudos variam com a concentração de álcool no sangue (BAC):

  • .05 BAC: redução das inibições sociais
  • .10 BAC: fala enrolada
  • .20 BAC: euforia e falta de coordenação motora
  • .30 BAC: confusão
  • .40 BAC: estupor
  • .50 BAC: coma
  • acima de .50 BAC: paralisia respiratória e morte

Benefícios à saúde:

 Se utilizado com moderação, o etanol pode diminuir o risco de doenças cardíacas e acidentes vasculares, e pode também diminuir o risco de causar diabetes. O uso moderado de álcool pode beneficiar adultos com idade mais avançada, ou aqueles com fatores de risco para doenças cardíacas presentes. O benefício para adultos de meia idade ou jovens não possui evidências que mostrem ser maior do que o dano.

Dose e idade:

Ouso moderado de álcool etílico é estabelecido como uma bebida ao dia para mulheres de todas as idades e homens acima de 65 anos, e até duas bebidas por dia para homens abaixo dos 65 anos de idade.

Efeitos na saúde variam de acordo com a dose, então um adulto de menor ou maior porte do que um adulto “típico” pode ter variação no grau dos efeitos. Crianças estão em maior risco à exposição devido ao seu tamanho menor.

Exemplos de uma bebida para um adulto saudável típico:

  • Cerveja: 355 mL
  • Vinho: 148 mL
  • Destilados (80 proof): 44 mL

Gênero:

 Mulheres metabolizam menos álcool no intestino, o que leva a uma maior absorção e maior concentração sanguínea de álcool. Mulheres também tendem a ter uma maior porcentagem de gordura por peso corporal, o que gera um menor volume de fluidos por peso nesse sexo. Por terem também um menor peso (em média) do que os homens, as mulheres tendem a ter uma maior concentração de álcool no sangue do que um homem que consumiu igual quantidade.

Populações vulneráveis:

Populações sensíveis ao etanol incluem: fetos e mulheres gestantes. A exposição do feto ao álcool pode levar a várias complicações, incluindo a síndrome do feto alcoólico. Crianças em geral, e especialmente as muito jovens, são mais susceptíveis aos efeitos tóxicos pois seu órgãos se desenvolvem rapidamente e órgãos em crescimento são mais vulneráveis aos efeitos de materiais químicos tóxicos como o etanol do que órgãos desenvolvidos e tecidos maduros. Por exemplo, o cérebro ainda não é completamente desenvolvido até a adolescência, crescendo especialmente durante os primeiros sete anos de vida. Um baque tóxico ao cérebro durante sua formação pode ter efeitos mais sérios do que se ocorresse mais adiante na vida. Além disso, o fígado do feto elimina o álcool de forma precária, portanto um feto é afetado pelos efeitos do álcool por mais tempo do que a mãe. Mais a frente na vida, pode ocorrer uma pequena diminuição na excreção do álcool com o envelhecimento.

beer

Imagem de Karen Neoh, Creative Commons

Variação no metabolismo:

 Indivíduos variam na forma de metabolizar o álcool. Além da idade e do gênero, nos fatores que influenciam o metabolismo incluem-se: condição física, raça ou etnia e a velocidade de consumo.

Certos grupos têm barreiras genéticas com a metabolização do acetaldeído, que é um intermediário da metabolização do álcool. Alguns indivíduos, principalmente do nordeste asiático ou com descendência africana, possuem variantes genéticos que codificam o ALDH, causando aumento nos níveis séricos de acetaldeído com o consumo de etanol, levando a efeitos tóxicos.

Reduzindo a exposição


Comprando e consumindo bebidas alcoólicas: A regulação do álcool etílico varia por país. Nos Estados Unidos, a idade mínima para comprar álcool é de 21 anos. Regulações também dizem respeito a beber e dirigir, com classificações criminais variando por país e nos estados dos Estado Unidos, começando com .08 concentração sanguínea.

Recomendações para mulheres grávidas preconizam evitar o consumo de álcool durante a gestação. As regras base de dieta  para os americanos recomendam que os seguintes grupos evitem o consumo de etanol:

- qualquer um com idade abaixo dos 21 anos

- mulheres que estão ou com suspeita de gravidez

- qualquer um que esteja dirigindo, planejando  dirigir ou participando de atividades que requerem coordenação, certas habilidades e estar alerta

- qualquer um tomando medicamentos com receita ou os de balcão que podem interagir com o etanol

- indivíduos em certas condições médicas

- aqueles em recuperação de alcoolismo ou que são incapazes de controlar sua ingestão de álcool

 

 

liquor

Imagem de pvz.lt, Creative Commons

Exposição ocupacional:

 A Administração de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos (OSHA) delimita a exposição para a área industrial em geral em 1000 ppm. Alguns países europeus trabalham com limites menores. Uma revisão de 2009 não encontrou nenhum risco cancerígeno verificável com exposições dentro deste limite.

ethanol label

Imagem de Michael Coté, Creative Commons

Etanol no Brasil


etanol no Brasil é utilizado com dois principais propósitos, o etanol combustível e o etanol presente em bebidas de teor alcoólico. Cada um desses usos está sujeito a legislações diferentes e a órgãos reguladores distintos.

 

O primeiro emprego do etanol relacionado ao seu uso como combustível foi sancionado pelo decreto-lei número 737 de 1938, e depois ampliado em 1975, com o decreto 76.593 que criou o Programa Nacional do Álcool (Proalcool) e em 1979 foi lançado no Brasil o primeiro carro 100% a álcool produzido aqui, o Fiat 147. Em 1987, com o decreto 94.541, o governo delimitou as regras para comércio, estocagem e escoamento do etanol combustível. Em 1991 foi estabelecido como crime a venda ilegal de combustíveis que enquadrou também o etanol, na lei número 8.176. Por fim, temos a lei 9.478 de 6 de agosto de 1997, conhecida como a lei do petróleo, que instituiu a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que vigora até hoje.

 

O segundo principal emprego da substância é em bebidas alcoólicas, que é regulamentada por diversas leis e estatutos, sendo seu principal controle a idade mínima para consumo destas bebidas. O quesito de idade mínima não é regido por proibições de consumo, mas sim sim proibindo a venda e fornecimento para menores de 18 anos. Por exemplo, não é ilegal que um menor tenha em sua posse uma lata de cerveja, mas é ilegal que um estabelecimento comercial venda essa lata para o menor. É estipulado como crime a venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos,  tanto pela Lei das Contravenções Penais de 1941, quanto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 9.069/1990). Atualmente o dispositivo legal vigente é a da Lei 10.764/2003 que cita como crime não apenas a venda, mas também fornecer, entregar ou ministrar mesmo de forma gratuita, um produto com componentes que podem causar dependência física ou psíquica, tal como o álcool. No caso de estabelecimentos comerciais, a sanção administrativa proposta é a do Projeto de Lei 5.502/2013 que insere adendos ao proposto pelo Estatuto da Criança e do Adolescente onde estipula-se uma multa de três a dez mil reais e a interdição do estabelecimento até recolhimento da multa aplicada. Temos então a conduta tipificada como crime e infração administrativa. O Projeto de Lei 5.502/2013 foi aprovado e enviado para sanção presidencial no dia 24/02/2015.

 

Metanol


O metanol é um solvente e combustível, encontrado em produtos como estes:

[imagem] 

- plásticos

- fibras sintéticas

- tintas

- resinas

-filme magnético

- laminado de óculos de segurança

- adesivos

- solventes

- carpetes

- isolantes térmicos

- refrigerantes

- líquido de limpar para-brisa

- painel de partículas

- pigmentos e corantes


O metanol também é usado:

- como solvente para resinas, gorduras e óleos

- na produção de acetaldeído, ácido acético, acetato de etila, cloreto de etila, éter etílico, butadieno, dibrometo de etileno, sabonetes, preparações de limpeza, explosivos e corantes

- como um fármaco, como compostos para fricção

 

Apesar de o metanol ocorrer naturalmente em frutas e vegetais e também no sangue, na urina e no hálito em pequenas quantidades, torna-se um veneno quando ingerido (consumido) ou inalado.

Rotas de exposição


Nas rotas de exposição típicas estão incluídos inalação, ingestão e contato com a pele ou olhos


methanol in home products

Gráfico do Instituto do Metanol mostrando produtos domésticos que contém metanol; methanol.org






 

 

methanol structure

Estrutura química do metanol

Impactos sobre a saúde


Intoxicação aguda por metanol pode causar cegueira e morte. Acredita-se que a dose oral mínima letal em humanos é de 1mg por quilograma de peso, chegando a ser tão pouco como 1-3 onças fluidas (30-100 mL). A maioria dos envenenamentos ocorre após ingestão, apesar de esse após inalação ou absorção cutânea já ter sido relatado em ambiente de trabalho.


Efeitos a longo prazo incluem:

  • necrose tubular aguda
  • diminuição da visão (inclui cegueira, retinopatia, neuropatia óptica)


Existem indícios que ligam o metanol:

  • à pancreatite
  • ao mal de Parkinson (desordens de movimento)


Populações vulneráveis: pelos mesmos motivos descritos acima serem relacionados ao etanol, fetos e crianças são mais susceptíveis aos efeitos da exposição ao metanol do que adultos.

Sintomas de toxicidade por exposição ou ingestão de álcool metílico podem incluir:

  • irritação nos olhos, pele e vias aéreas superiores
  • dor de cabeça
  • tontura
  • náusea
  • vômitos
  • dermatite
  • perturbação na visão ou severa perda da vista em 8-24 horas após a exposição
  • cegueira
  • acidose metabólica
  • cetoacidose alcoólica
  • cetoacidose diabética
  • depressão do sistema nervoso central
  • morte

Fontes de exposição


Estão incluídos, nas fontes de exposição: o ambiente doméstico, produtos industriais e de manufatura. Uma lista de produtos que contém metanol está disponível na base de dados de Produtos Domésticos do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos.

O metanol pode ser encontrado usualmente em vários destilados caseiros, tais como o aguardente. Produtores comerciais de destilados usam tecnologias especificamente elaboradas para assegurar que o metanol seja separado do etanol durante a produção, mas destiladores caseiros raramente possuem a capacidade e tecnologia para isso.

Reduzindo a exposição


O limite de exposição atual do OSHA é de 200 ppm. A prevenção tem foco em evitar o contato dérmico ou com os olhos e, caso ocorra, a lavagem é essencial e crítica. Estão incluídos, nos primeiros socorros para outras exposições: irrigação imediata dos olhos, providenciar suporte respiratório após a inalação e providenciar atenção médica imediata em caso de deglutição do metanol.

Outras regulações ligadas a ingestão do metanol incluem limitar a quantidade de metanol nos fluidos de lavar para-brisas a 3%. Engolir este limpador industrial pode ser letal, principalmente para crianças pequenas. Mais informações sobre envenenamento por etanol em ambientes domésticos pode ser encontrada no site MedlinePlus.

Evite bebidas alcoólicas destiladas em casa, por mais que o preço seja convidativo. Cerveja e vinho feitos em casa normalmente não representam perigo em relação ao metanol.

windshield washer fluid
Imagem de Bem Husmann, Creative Commons

História e Ética


O etanol tem sido produzido por milênios, com evidências que datam até 7000 A.C. A literatura grega contém avisos contra a bebida em excesso, então temos que problemas associados com o consumo de álcool não são nada de novo. No entanto, alguns problemas parecem estar aumentando. Comparado com 2006, quando a bebida excessiva tinha um custo estimado de $223.5 bilhões ($1.90 por bebida), em 2010 o custo havia subido até $249 bilhões ($2.05) por bebida. 77 por cento destes custos foram atribuído a beber de forma desenfreada, que é considerado cinco ou mais bebidas em uma ocasião para homens e quatro ou mais bebidas para mulheres. A maior parte destes custos foi relacionada à redução da produtividade laboral,  à criminalidade e ao custo gerado por tratar pessoas com os males causados pela ingestão excessiva da substância. Nos EUA, o custo anual de acidentes automobilísticos relacionado ao álcool é de mais de $44 bilhões.

Beber em excesso não apenas drena a economia, mas as 88 mil vidas perdidas por ano graças à bebida em excesso nos EUA – uma em cada 10 mortes de americanos em idade de trabalho – um ultraje ético e social. O abuso do álcool e o dano permanente e desnecessário causado aos inocentes, incluindo fetos e crianças, é inteiramente previsível.

Veja mais sobre o álcool e saúde na lista de publicações do DHE e dos recursos Dig Deeper.

costs of excessive alcohol use

Custos do uso excessivo do álcool, CDC (PDF)

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