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Ácido Domóico

Visão Geral


O ácido domóico é um aminoácido neurotóxico natural capaz de se bioacumular. Produzido por algas microscópicas - especialmente pelo genêro Pseudo-nitzschia, composto por algas microscópicas diatomáceas - que causam Intoxicação Amnésica por Marisco (do inglês, Amnesic Shellfish Poisoning, ASP), é mais comum quando há o florescimento de diversas algas, fenômeno impulsionado pelas altas temperaturas do oceano e pela maior oxigenação da água devido à poluição e ao escoamento da produção agrícola. Recentemente, constatou-se que tem causado danos a mamíferos maiores - incluindo leões marinhos, golfinhos e baleias - devido à bioacumulação do ácido, principalmente onde o fitoplâncton neurotóxico é naturalmente abundante.

Toxicologia


O ácido domóico é uma neurotoxina que afeta as vias neurais de mamíferos e inibe processos neuroquímicos. Conforme Jeff Jenkins, da Universidade Oregon State, o ácido glutâmico é um aminoácido abundante normalmente encontrado em humanos, que transmite impulsos de uma célula à outra através do sistema nervoso central, sendo que alguns destes terminam no hipocampo (sítio de aprendizado e memória). “Se um ácido como o domóico, que mimetiza o ácido glutâmico, é transportado para o hipocampo, o equilíbrio normal do impulso é perturbado e um evento tóxico excitatório acontecerá. Os receptores no hipocampo enviam impulsos contínuos e podem colapsar, resultando em lesões cerebrais e perda permanente de memória. É esta perturbação que caracteriza a ASP, assim denominada devido aos sintomas neurológicos que causa.

Toxicidade


Humanos 

Estudos japoneses não mostraram efeitos nocivos em humanos a 0,5mg/kg da massa corporal. Concentrações de 31 a 128 mg/100g de tecido muscular foram observadas no surto de 1987 na Ilha Prince Edward, no Canadá, em que três pessoas morreram por Intoxicação Amnésica por Marisco ASP) e 100 adoeceram após ingerirem mariscos contaminados.

Os sintomas incluem vômitos, náusea, diarreia e cólicas abdominais nas primeiras 24 horas após a ingestão. Em casos mais severos, sintomas neurológicos se desenvolvem em até 48 horas e incluem dores de cabeça, tontura, confusão, desorientação, perda de memória recente, fraqueza motora, convulsão, abundância de secreções respiratórias, arritmias cardíacas, coma e possibilidade de morte. O nome “Intoxicação Amnésica por Marisco” foi dado à doença devido ao fato de a perda de memória a curto prazo ser permanente.

Mamíferos

O ácido domóico se liga a um receptor de glutamato que perturba o fluxo de íon através das membranas da célula. O receptor danificado é incapaz de controlar tal fluxo, o que eventualmente mata a célula nervosa. O ácido afeta também o hipocampo e as amígdalas, o que causa deformações neurológicas que incluem convulsões e outros movimentos incontroláveis. A inabilidade de controlar movimentos força os mamíferos a irem para a praia em uma tentativa de impedirem seu afogamento. A partir do verão de 1998, em um florescimento de algas, o número de leões marinhos mortos devido à intoxicação aumentou, sendo as fêmeas prenhas as mais suscetíveis a serem afetadas pelos altos níveis do ácido por serem forçadas a ingerir uma maior quantidade de algas.


Sintomas da Intoxicação


Humanos 

Em humanos, os sintomas da Intoxicação Amnésica por Mariscos incluem:

  • Vômitos;

  • Náusea;

  • Diarreia e cólicas abdominais dentro de 24 horas da ingestão;

  • Dores de cabeça;

  • Tontura;

  • Confusão, desorientação;

  • Perda de memória de curto prazo;

  • Fraqueza motora;

  • Convulsões;

  • Abundância de secreções respiratórias;

  • Arritmia cardíaca;

  • Coma e possibilidade de morte.

Animais

  • Movimentos da cabeça de um lado para o outro;

  • Convulsões;

  • Olhos esbugalhados;

  • Muco oral;

  • Desorientação.

Ocorrências


A ASP foi descoberta no surto acima mencionado, na Ilha Prince Edward, em 1987 e é relativamente rara.

As mortes dos mamíferos marinhos foram inicialmente observadas e dadas como problema em 1998, quando inúmeros leões marinhos da Califórnia foram mortos. Atualmente é um problema anual, com grandes números destes mamíferos morrendo a cada verão devido à intoxicação. Entre 1º de março e 06 de junho do ano de 2007, mais de 70 deles foram levados ao centro de Los Angeles com cerca de 35% de chances de morrer. Calcula-se que as complicações vão aumentar já que as temperaturas do oceano continuam aumentando, o que resultará no florescer de mais algas e, consequentemente, maiores quantidades do ácido.

O ácido domóico foi também a causa mais provável para um incidente em 1961 em Capitola, também na Califórnia, quando aves marinhas enlouquecidas começaram a atacar residentes, carros e vitrines. Acredita-se que haviam sido intoxicadas pelo ácido, o que causou seu comportamento errático. Este incidente foi a base para o filme Os Pássaros, de Alfred Hitchcock.

Precauções


Deve-se descobrir qual a concentração de ácido domóico do local de onde vêm os alimentos. Além disso, o ácido não é neutralizado pelo cozimento.

Referências


Channel Islands Marine and Wildlife Institute (CIMWI), "Domoic Acid Information and History", 2006.


Jeff Jenkins. "Environmental Toxicology and Chemistry Memo SUBJECT: Domoic Acid in Oregon Seafood Harvest". Department of Agricultural Chemistry, Oregon State University. January, 1992.


Melissa Thomas-Anderson, "Domoic Acid Sickens Sea Mammals"The Daily Nexus, May 21, 2003.


Regan Morris. "Sea Lions Hit by High Levels of Acid Poison in California," The New York TImes, June 6, 2007, p. A16.


Albert J. Nantel. "Domoic Acid". International Programme on Chemical Safety. May, 1996.


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Tradução realizada por: Ana Beatriz Gouveia

Link para a página em inglês: Domoic Acid

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