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Glifosato

Visão Geral


O glifosato é usado rotineiramente como um herbicida não seletivo e é o ingrediente ativo usado em várias formulações comerciais e no famoso Roundup produzido pela Monsanto Company. Em 1970, John E. Franz descobriu a classe do glifosato enquanto trabalhava como químico pesquisador da Monsanto. A substância foi patenteada pela primeira vez em 1974 e novamente em 1993 para uso em uma variedade de ervas daninhas em ambientes residenciais e também na agricultura. O glifosato puro não é altamente tóxico, mas quando misturado com outros ingredientes, principalmente um surfactante (produtos químicos que ajudam o glifosato a penetrar as células vegetais, como no produto Roundup), efeitos negativos na saúde foram observados (De Roos, et al, 2005).  Por exemplo, um estudo recente mostrou que o glifosato é tóxico para células placentárias humanas e que a toxicidade da formulação “depende dos ingredientes adicionados e vários são mais tóxicos que o glifosato em si” (Richard, et al, 2005 e Watts and Mcfarlane, 1999).

Descrição Química


O glifosato é um ácido inorgânico, constituído de uma porção glicina e outra fosfonometil (#INCHEM, 1994), que se apresenta como um pó cristalino branco e inodoro. Geralmente é misturado com surfactantes, o que altera suas propriedades; veja a lista de ingredientes inertes com os quais é combinado.

Tabela 1. Propriedades físicas e químicas do glifosato pela #INCHEM, 1994

Estado físico: pó cristalino

Cor: branco

Odor: ausente

Ponto de fusão: 184.5°C e decomposição em 187°C

Densidade: 1.704 a 20°C

Pressão de vapor: < 1 x 10-5 Pa a 25°C

Solubilidade em água: 10 100 mg/L a 20°C

Não inflamável

Não explosivo

Usos


O glifosato é o pesticida mais utilizado no mundo com a última estimativa (2001) colocando seu uso em 85-90 milhões de libras (38-40 milhões de quilogramas) mundialmente e 38-48 milhões de libras (17-21 milhões de quilogramas) anualmente nos Estados Unidos (Usage, 2007 e Cox, 1998). O composto é um herbicida não seletivo, sistêmico e pós-emergência, usado em uma miríade de plantas incluindo safras anuais e perenes de todos os tipos e nos âmbitos comerciais, residenciais e na agricultura (EXTOXNET, 1996 e INCHEM, 1994). A formulação mais popular é o Roundup, onde o glifosato é formulado como um sal de isopropilamina, assim como em outras 52 formulações (INCHEM, 1994) e RED, 1993). O sal de isopropilamina é especificamente usado para controle de plantas de folhas largas na agricultura e no ambiente residencial (INCHEM, 1994).

Nomes Comerciais

  • Glialka
  • Roundup
  • Sting
  • Rodeo
  • Spasor
  • Muster
  • Tumbleweed
  • Sonic
  • Glifonox
  • Glycel
  • Rondo

Formulação


O glifosato em sua forma pura é um ácido, mas é utilizado de forma mais comum como sal de isopropilamina e geralmente distribuído em conjunto com outros ingredientes e pós solúveis em água (EXTOXNET, 2006).

Glifosato e ingredientes inertes


Inert Ingredients in Glyphosate Products from #Cox, 1998

  • 3-iodo-2-propinil-butilcarbamato (IPBC)
  • ácido pelargônico
  • ácido sórbico
  • benzoisotiazolona
  • hidróxido de potássio
  • isobutano
  • isopropilamina
  • pirrolidinona metil
  • Roundup
  • sulfato de amônia
  • sulfito de sódio
  • taloamina polietoxilada (POEA)

O Glifosato e o Roundup são outros exemplos demonstrativos da falta de consonância que existe e que permite a rotulagem apenas do ingrediente “ativo” enquanto se refere ao restante dos ingredientes como “inertes”. Isso é devido ao fato de que o glifosato sozinho é menos tóxico que quando combinado com um surfactante, que está listado apenas como um ingrediente “inerte”, dando uma falsa impressão da real periculosidade do composto (Cox, 1998).

Efeitos na Saúde


O glifosato é vendido como sendo benigno, mas testes em laboratório descobriram efeitos negativos a curto e a longo prazo, além de provocar carcinogênese e efeitos nocivos no sistema reprodutivo (Cox, 1998). Além disso, o produto Roundup é conhecido por ser usado em suicídios no Japão, sendo que seu consumo resulta em sintomas que incluem: dor intestinal, vômito, excesso de fluido no pulmão, pneumonia, perda de consciência e destruição de hemácias (Cox, 1998). É preciso observar que o glifosato não é visto como a causa dos efeitos, e sim o surfactante POEA.

O glifosato puro é relativamente não tóxico e categorizado como Categoria III (baixa toxicidade oral e dérmica) (RED, 1993). A exposição a curto prazo pode causar dificuldades em respirar, perda de controle muscular, e convulsões (Watts e Mcfarlane, 1999). Não há informação suficiente para qualificar o glifosato como carcinógeno, tóxico para o desenvolvimento, teratogênico ou mutagênico, mas há alguma evidência de que o glifosato tem algumas dessas propriedades (EXTOXNET, 1994). No entanto, a EPA classifica o glifosato como um oncógeno de Grupo E (evidência de não-carcinogenicidade em humanos) por “falta de evidência crível da carcinogenicidade em estudos adequados com duas espécies animais, ratos e camundongos (RED, 1993).

Alguns produtos  com glifosato são classificados como categoria de toxicidade I e II (toxicidade aguda) para irritação nos olhos e pele (RED, 1993).

Exposição


A exposição ao glifosato é esperada devido ao seu uso no Roundup (EPA, 1993).

Efeitos Ambientais


Persistência e mobilidade

A persistência do glifosato varia amplamente, mas a substância se prende fortemente ao solo e não se infiltra nos lençóis freáticos (Cox, 1998 e RED, 1993). Sua meia vida é estimada em 47 dias, o que o torna “moderadamente persistente” (EXTOXNET, 1994). É degradado no solo por micróbios em dióxido de carbono.

Possui a capacidade de contaminar água na superfície por conta de seu padrão de uso e por se ligar ao solo (RED, 1993). Várias contaminações foram documentadas (Cox, 1998):

- água de superfície na Holanda

- sete poços nos EUA (um no texas, seis na Virgínia)

- contaminações em riachos florestais no Oregon e Washington

- riachos contaminados perto de Pudget Sound, Washington

- poços contaminados em subestações elétricas tratadas com glifosato

Efeito em organismos que não são alvos (INCHEM, 1994)

Glifosato é “moderada à levemente tóxico aos microrganismos aquáticos, com EC50 (3-4 dias) com valor de 1.2-7.8 mg/L e valores de NOEC 7-dias de 0.3-34 mg/L. Formulações de glifosato são levemente a altamente tóxicas para microrganismos aquáticos com valores de EC50 (3 dias) de 1.0 a > 55 mg por litro.

É “praticamente atóxico” para peixes mas é levemente tóxico para pássaros selvagens (EXTOXNET, 1994). Abelhas não são afetadas.

Glifosato no Brasil


O glifosato começou a ser utilizado no Brasil no final da década de 70 e teve sua produção iniciada em 1984. No Brasil, o glifosato, as formulações o contendo e as recomendações de uso foram avaliadas e aprovadas para uso comercial pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA - Ministério do Meio Ambiente) e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Links Externos

 História do glifosato pela Monsanto

http://www.glyphosateweedscrops.org/

Referências


Caroline Cox. "Glyphosate Factsheet"Journal of Pesticide Reform v.108, n.3 Fall98 rev.Oct00.


Sophie Richard, Safa Moslemi, Herbert Sipatur, Nora Benachour, and Giles-Eric Seralini. "Differential Effects of Glyphosate and Roundup on Human Placental Cells and Aromatase." Environmental Health Perspectives (113:6), Summer 2005, pg. 716-721.


Extension Toxicology Network. "Pesticide Information Profile - Glyphosate". June 1994. Accessed 1-4-08.


Environmental Protection Agency (EPA). "EPA Reregistration Eligibility Decision (RED) Glyphosate". September 1993.


World Health Organization. International Program on Chemical Safety (INCHEM). "ENVIRONMENTAL HEALTH CRITERIA 159 - GLYPHOSATE". 1994.

ANVISA. 2003a. Monografia GO1 Glifosato da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Disponível em: www.anvisa.gov.br


ANVISA. 2003b. Esclarecimentos sobre a Consulta Pública n. 84/03; Gerência Geral de Toxicologia, ANVISA, Ministério da Saúde, 4.12.2003.


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Tradução realizada por: Vinícius Sartori
Link para a página em inglês: Glyphosate
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